9 de julho de 2009

Devaneios à beira do cais

ps_balsa

A paisagem do final do inverno caía no cais. No pôr-do-sol, Victória vivia uma rotina de verso e prosa onde encontravam no infinito as suas melhores composições.  As nuvens acinzentadas mesclavam-se com o azul do céu, o alaranjado do sol e o branco das outras nuvens pareciam terem sido bordadas por mãos de rendeiras.

Era inverno no litoral. Dias de ventos e chuvas fortes. Tardes de belos pores-do-sol. E ela ficava a beira do cais à espera de algo novo, carregava nos olhos a alegria dos seus momentos vividos e também os dias que não vivera. Esperava ouvir o que ainda não ouvira, ansiava em saber que pode sentir o que há muito era uma espera, por vezes, enigmática…
 
Em alguns momentos assumia as cores do arco-íris, mas logo o céu tornava-se cerrado e tudo voltava a cobrir-se em preto e branco. Tudo parecia inconstante, talvez mera culpa da estação incerta do litoral, que nos dias de inverno também se fazia calor.

Victória não entendia essas incertezas da natureza, que ao mesmo tempo eram suas dúvidas envoltas em seus momentos. Dias intimistas… Não se sabe até quando ela conseguirá viver nessa ambivalência.  Nem em que tempo poderá conseguir traduzir por palavras o que há muito o seu olhar já diz…

Um dia quem sabe, os seus medos ocultos deixarão de assumir o espaço da sua espera e Victória começará a conhecer o seu mundo… A entrada para ela há muito tempo que está sempre à vista…

 

*As palavras foram chegando junto com a lua enquanto o sol descia pelo horizonte. Apenas palavras, não momentos vividos.

17 Navegante (s):

O Profeta disse...

Haverá?! Há sempre uma deusa perdida
Nos labirintos da contradição
Há sempre alguém que usa a palavra amor
Soprando doce veneno ao coração
Há sempre alguém que nos diz coisas tontas
Há sempre alguém que afugenta a Saudade
Há sempre alguém que nos marca a ferro frio
Há sempre uma alma ausente da verdade

Bom fim de semana


Doce beijo

Albertt disse...

a beira do caaais, e pensar na vida....
um folego de vida!

Tetê disse...

Bom... se ela já está no cais, não demora para embarcar em uma linda aventura por seu interior! Eu amo as divagações de Victória! Querida, obrigada pela visita! Bjks e bom final de semana!

Adelaide Gomes disse...

Só precisa de coragem para dar o passo...
Bj

Paulo R. Diesel disse...

Gostei dos "devaneios".
Gostei do conto.

Camila disse...

E isso também acontece comigo às vezes. O clima mudando no mesmo compasso dos sentimentos. Os dias chuvosos incrivelmente coincidem com dias chorosos. Isso, se existir coincidências, né?

Aproveite a bela vista do cais, Victória. Já já os dias de sol chegam e ficam para tudo aquecer.

Estava com saudade da Victória, Susinha!
E com saudade de você!

Beijos grandes!!!

Éverton Vidal disse...

O Cais sempre gera devaneios né. Cais é quase sinônimo de saudade também.

Bj!

Márcia(clarinha) disse...

Victoria carece coragem para o ato assim como Su a tem para as palavras...[belas e certeiras]

lindo dia flor querida
beijos

Marco disse...

Quem não teria um devaneio com uma paisagem desta?
Abraços

Du disse...

Ô menina! Já falei que você está escrevendo cada dia melhor? Poizé!!!

Beijão no ♥

Lunna disse...

Acho que eu me perdi junto com a paisagem, as vezes é preciso isso: se perder para que a gente, enfim, identifique os medos e os lugares por onde andamos... Beijos meus menina de asas

Ps. Estou naquela fase de silêncio, onde escrever é tudo que me resta. Bom domingo pra ti

Aline Christal disse...

Su...saudades daqui, desculpe a demora...ando tendo devaneios a beira do cais...rsrs

Estou com um projeto e gostaria que vc participasse também, mande-me um email para aschristal@gmail.com

Mariana disse...

Adoro esse clima praiano do seu blog Su, florzinha minha.

E Victória, sempre arrasa. Palavras que vem, mesmo sem viver... descrevem um momento importante: conhecer a si mesmo.

Entrelinhas...
Beijos

Marco disse...

E não é que essas meninas andam sumidas!

Maldita Futebol Clube disse...

minha doce baianinha linda, mais bela que a paisagem e a postagem , apenas essa face a sorrir de canto de boca nesse exato instante em que le meu coment...saudades suas, e num doce delírio me senti proximo a ti , ali a vagar no tempo ao lado do vento , com o sol a brilhar refletido na imensidão desse mar! beijos...adoro vc! leandro

Igor Monteiro disse...

Olá! Estive um tempinho fora do ar, mas agora estou de volta, vi que seu blog tem melhorado muito, cada texto um melhor que o outro, abraços. Volto logo...

TaTy GaSpAr disse...

Suuuuuuuu, saudade de tu!
E de tua Vitória aventureira...
Como tah?
Bjocas*

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